Grãos de café
Grãos de café frescos
Ground Coffee

Histórias e Lendas do Café

As primeiras evidências botânicas e históricas indicam que café "Coffea Arábica"

se originou no planalto central da Etiópia na província de Kaffa, outrora conhecida

como Abissínia, entre mil e dois mil metros acima do nível do mar, onde ainda hoje

crescem naturalmente dentro da floresta selvagem.
Mas foram os árabes os primeiros a fazer uso comercial da bebida, daí o nome,

café arábica. O café cruzou o Mar Vermelho e foi se instalar no sul da península

arábica, no país que hoje é conhecido como Yemem, mas que outrora era conhecido

como "A Arábia Feliz". Primeiramente o café começou a ser utilizado como medicina,

e depois como uma bebida que ajudava na meditação e nos exercícios religiosos pelos

Dervishes, filósofos sufis que o bebiam para permanecer acordados durante seus

exercícios espirituais.

     

Na Abissínia o café era comido em bolas de gordura levadas nas viagens pelos nômades do deserto e

se chamava "bun" ou "Bonn" os árabes foram os primeiros a usá-Io como bebida e o chamavam

"kahwah" ou "Cahue" que significa "aquele que eleva o espírito". Os Europeus, ao verem a adoração

que os árabes tinham por aquela bebida, passaram a chamá-Io "o vinho dos árabes". Alguns estudiosos,

no entanto, associam a origem do nome "café" à própria província de Kaffa, na Etiópia.

A palavra café passa a ser conhecida em todos os países do mundo será então escrito de maneira

diferente em cada língua: Café (Espanhol, Francês, Português, Cambojano), Coffee (Inglês),

Qahwah (Árabe), Kahvi (Finlandês), Kafeo (Grego), Caffê (Italiano), Coffea (Latin), Kafa (Croata),

Kaffe (Dinamarquês, Noroeguês, Sueco), Kia-fey (Chinês), Kéhi (Japonês), Kafva (Esperanto),

Kaffee (Alemão), Café (Catalão), etc.

     

Seus primeiros usos estão cobertos de fábulas e lendas, mais o que de fatos e certezas, o que só amplia
a magia e fascinação que desperta essa intrigante bebida. Das fábulas mais conhecidas, reza a lenda,
um pastor de cabras da região de Kaffa, notou que seus animais estavam mais agitados que o de
costume. Assustado e sem entender muito bem o que estava acontecendo e atribuindo ao fato forças
sobrenaturais, procurou a ajuda de uns monges de um mosteiro cristão nas imediações. Tais monges,
conhecidos como Sciadle e Aidro, observaram que as cabras estavam alimentando-se das bagas de um
determinado arbusto e colheram alguns frutos e o levaram para o mosteiro. Os monges também
acreditavam que aquilo era obra do demônio, e atearam fogo aos frutos. O aroma do café despertou o
interesse e chamou a atenção dos demais monges que resolveram ferver aqueles grãos em água e
experimentar. Perceberam que aquela bebida lhes tirava o sono e dava ânimo. Então o prior do
mosteiro mandou que a bebida fosse ministrada aos monges todos os dias para que eles se
mantivessem despertos e mais atentos as suas orações e meditações.

 

Importância Histórica do Café para a humaninade

"Sem medo de resvalar para o excesso, pode-se afirmar que todos os movimentos sociais,

políticos, religiosos, artísticos, do século XV] ate nossos dias, germinaram ou foram

acalentados no murmurinho das mesas ou berreiro descontrolado dos cafés." (J.T. Oliveira)

 

A dieta européia na idade média era algo bastante diferente do que conhecemos hoje.

A maioria dos povos da Europa Central e do norte, tinham a cerveja fervida e o pão como

seu principal alimento.

O chá (1610), o chocolate (1528) e a batata foram introduzidos na cultura européia mais

ou menos no mesmo período que o café (1615).

 

O café apareceu na Europa trazido da Arábia pelos holandeses e comercializado pelos 

mercadores do porto de Veneza. A princípio era vendido como produto com propriedades

medicinais e indicado para quase tudo, desde uma dor de cabeça a cura da disfunção erétil.

Num primeiro momento os grandes apreciadores da bebida foram os nobres europeus que

passaram a consumir café em refinados cerimoniais do século XVIII. Também era consumido

como bebida estimulante nos bordeis de Amsterdã.

 

Seus primeiros momentos na Europa não foram fáceis. A nova bebida recebeu duras críticas da Igreja
Católica. Alguns padres difundiam a idéia de que "aquela bebida negra consumida avidamente pelos
infiéis muçulmanos", era um substituto demoníaco do vinho, a bebida abençoada por Cristo, e que os
árabes proibiam em razão do seu teor alcoólico. O Papa Clemente VIII, no século XVI, provou o café
e 0 considerou "uma bebida verdadeiramente cristã". Com a benção do papa o café se tomou
conhecido e seu consumo se expandiu por toda Europa.

 

O período entre os séculos XVII e XIX foi de profundas mudanças sociais e culturais na Europa. O
café não só funcionava como estimulante para as revolucionárias mentes daquele período como
também o hábito de freqüentar cafeterias estabeleceria um novo tipo de vida privada, fora dos círculos
familiares e longe do restrito mundo das cortes européias. Podemos dizer que o Café vio despertar a
Europa de seu obscuro sono medieval. As cafeterias representavain então um novo paradigma, uma
nova forma de encontro social e organização. Elas atraiam cada vez mais clientela de todas as classes
sociais: políticos, profissionais liberais, artistas e comerciantes se misturavam nessa nova forma de
integração social.

O iluminismo francês, o risorgimento na Itália, a revolução industrial, todos os mo imentos nessa
época foram gerados por pessoas que se agrupavam entorno de uma xícara de café. O vinho e a
cerveja, devido a seus efeitos alcoólicos, não representavam o real interesse dessa clientela mais
refinada, que buscavam o contato com seus pares: intelectuais, artistas, escritores. Era um tempo de
efervescência cultural e revoluções. Tempo de aprimoramento de uma nova sociedade.

 

O café representava a alternativa perfeita: proporcionava um meio de socialização, sem temor da
intoxicação alcoólica, num ambiente agradável e mais reservado. Por todo século XVII e início do
XIX as cafeterias abriam, uma após a outra, em todas as grandes cidades européias. Por essa época
muitas cafeterias ficaram conhecidas como universidades baratas (penny universities). Por alguns
trocados era possível ouvir e aprender com grandes figuras e oradores ilustres como: Spinoza, Bacon,
Descartes, Locke, Rousseau, Voltaire, Rechilieu ou Diderot. As cafeterias se tornavam caldeirões
fervilhantes de idéias, intelectuais, críticas políticas, tomando-se parte indispensável da vida européia.

 

Brasil, um país com a "cara" do café

O café chegou ao Brasil nas primeiras décadas do século XVIII vindo da Guiana

Francesa para o norte do País. As primeiras plantações foram no Pará e depois

Maranhão (1731). Mas a cafeicultura brasileira só encontrou seu primeiro ponto

de fixação, em princípios do século XIX, no entorno da cidade do Rio de Janeiro.

 

Conta-se que a que a Coroa Portuguesa, já em 1727, estava interessada em incluir

o Brasil no mercado mundial de café, enviou uma expedição, chefiada pelo

Sargento-Mor Francisco de Meio Palheta à Guiana Francesa para resolver

problemas fronteiriços com ordens expressas de trazer sementes de café para

o Brasil. O governo francês havia proibido aos moradores da Guiana dar frutos

ou mudas de café aos portugueses e brasileiros. Reza a lenda que Palheta teve
um caso amoroso com a esposa do governador francês e que ela o presenteou,

na sua partida com um cesto de flores, onde estavam escondidas mudas e sementes de café.

 

Cabe mencionar também a figura do Dr. Louis François Lecesne, médico francês, pioneiro da história
do café no Brasil. Lecesne foi enviado a Santo Domingo, incorporado a uma missão médica, em 1784.
afeiçoando-se ao país, comprou duas grandes fazendas de café, onde aprendeu as técnicas mais
avançadas desta cultura, propriedades que lhe renderam fortuna. Em 1791, com a sangrenta Revolta
do Pretos em Santo Domingo, foi um dos poucos brancos que conseguiram escapar com vida. Partiu

então para Havana onde pela segunda vez se tomou fazendeiro de café. Quando as tropas francesas
invadiram a Espanha, 1801, os franceses de Cuba tiveram que deixar a ilha dentro de uma semana.
Depois de vagar por Estados Unidos e Europa, partiu com sua família para o Rio de Janeiro (1816),
onde adquiriu uma propriedade que se chamaria - São Luis - em meio a um platô na Gávea a 24 km

da então cidade do Rio de Janeiro. Lecesne veio ao Brasil com um plano grandioso: o de montar aqui

também uma fazenda modelo para a cultura do café. Foi o primeiro a plantar mais de 50.000 pés de

café, logo seguido por seu vizinho, Charles Alexandre Moke, no local onde hoje está a Floresta da Tijuca.

 

A primeira grande fase do café brasileiro situa-se historicamente no período Imperial (1822-1889) e,
geograficamente, ao longo do Vale do Paraíba do Sul no Estado do Rio de Janeiro. A cafeicultura
fluminense teve grande força comercial, chegando a representar 15% da economia nacional. Iniciando
um período de mais de 100 anos, em que o Brasil capitaria 1% do valor do comércio internacional
através do café. Baseada essencialmente na mão de obra escrava, a cultura cafeeira fluminense foi
responsável não só pela formação de importantes cidades, abertura de estradas e portos, como também
se deve a ela a popularização da bebida no mundo e a criação, no Brasil de uma "cultura do café".

A partir da década de 1890, coincidindo sintomaticamente com o fim do império, o porto de Santos
superou o do Rio de Janeiro no escoamento da produção de café, tornando o café Santos o novo padrão
de qualidade no comércio internacional. O período da Velha República (1889 - 1930) a cultura do
café expandiu-se espetacularmente pelo Estado de São Paulo. A alta produtividade e disponibilidade
de terras que se estendiam pelo interior do Estado propiciaram a fixação de fazendas e o povoamento
por imigrantes, fazendo surgir cidades ao longo dos principais eixos ferroviários. O café ocupava,
então, o centro da vida econômica brasileira, tornando São Paulo o estado de maior crescimento na
federação. Após a segunda guerra mundial houve um deslocamento do eixo da produção brasileira
para as proximidades do Trópico de Capricómio, no Paraná. Na safra de 1961/62, a cafeicultura
paranaense atingiu o seu apogeu, colhendo o equivalente a 54% da produção brasileira e 28% da
produção mundial. Fortes e seguidas geadas arrasaram as plantações paranaenses, fazendo com que o
café buscasse novas fronteiras agrícolas.

 

fonte: Casa do Barista

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© 2016 por Adalberto Rangel

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